Indaiatuba ainda está em fase de alerta para a covid, avalia secretária da Saúde

Pasta continua apostando na testagem da população para o enfrentamento da doença

Por Patrícia Lisboa

Há sete meses das primeiras notificações de covid-19, em Indaiatuba, a secretária municipal da Saúde, Graziela Garcia, em entrevista exclusiva ao Blog da Pimenta, afirma que o município ainda está em fase de alerta para a doença. A baixa adesão da população ao isolamento social, neste momento de maior flexibilização das atividades, é apontada como um dos fatores de preocupação. Como no início da pandemia, a Pasta continua apostando na testagem como uma das principais estratégias para o enfrentamento da doença na cidade.

“Existe uma negação em relação a pandemia. Há pessoas que fazem de conta que ela não existe. A quarentena se estendeu além do previsto, no começo, e isso fez com que diminuísse a tolerância das pessoas, para ficar em casa. Mas, para o controle da pandemia, as medidas indiscutíveis ainda são a redução da circulação das pessoas, o uso da máscara (e demais cuidados de higiene) e a vacina, que ainda não chegou”, afirma a secretária.

Os feriadões prolongados também são motivo de preocupação, já que, nessas ocasiões, muitas pessoas circulam mais nas ruas, nos parques e se reúnem em confraternizações. “O que mais assusta é o comportamento das pessoas. Há uma falsa impressão de que a pandemia acabou”, observa Graziela.

A secretária reforça que o uso da máscara, mesmo com o calor, é um fator determinante para evitar as contaminações pelo coronavírus, que causa a covid-19. “Nosso trabalho tem sido de orientação, de convencimento. As pessoas já sabem que é preciso usar a máscara”, diz.

ÓBITOS E CASOS POSITIVOS

Em média, Indaiatuba registrou seis óbitos por covid-19 por semana, nas últimas seis semanas. No mesmo período, a média foi de 250 novos casos positivos. Os números oscilam para mais ou para menos de um dia para o outro, mas, a média semanal revela uma estabilidade.

Nesta quinta-feira (15/10), mais uma morte por covid-19 foi confirmada. A vítima foi uma mulher, de 78 anos, que estava internada no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), desde o dia 2 deste mês. Ela possuía cardiopatia, anemia, entre outras comorbidades, e faleceu ontem (14/10). Hoje, Indaiatuba soma 217 óbitos.

Também foram confirmados, nesta quinta, mais 24 novos casos positivos e são, ao todo, 7.540 pessoas que já foram infectadas, até agora.

Do total de pessoas que tiveram a doença, além das 217 que morreram, 7.294 são consideradas curadas ou estão em recuperação domiciliar e 28 estão internadas.

Ainda há outros 349 casos suspeitos aguardando resultado de exame para a confirmação ou não da covid-19.

UTI

Os índices de ocupação dos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusiva para a covid pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que são as 24 unidades do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), também nas últimas seis semanas, oscilaram entre 31% (menor taxa do período, em 25/09) e 83% (maior taxa do período, em 15/10).

A variação, segundo a secretária da Saúde, tem relação com a maneira diversa que cada pessoa reage ao vírus. Em algumas, a covid se apresenta com maior gravidade, necessitando do atendimento em UTI, e em outras, a doença é mais branda.

De acordo com o boletim epidemiológico, nesta quinta-feira (15/10), a taxa de ocupação dos leitos de UTI para covid, no Hospital Santa Ignês, da rede particular, é de 50%.

TESTES

Por semana, também estão sendo aplicados pela Secretaria Municipal de Saúde cerca de 1,2 mil testes de covid-19. Ao todo, a rede municipal de saúde já aplicou cerca de 35 mil testes desde o início da pandemia e tem, hoje, um estoque de 20 mil testes.

Com o calor desta época do ano, a expectativa é que os casos de síndromes respiratórias, que são mais comuns no inverno, diminuam. Isso também deve fazer cair a procura pelos testes na cidade.

Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde vai fazer uma busca ativa em públicos específicos, começando pelas gestantes, para conter possíveis surtos da covid.

A estimativa da Pasta é que há cerca de três mil gestantes, em Indaiatuba, atualmente.

Para fazer o teste para a covid nas grávidas, a Prefeitura vai montar um esquema drive-thru, no estacionamento que fica em frente ao Centro de Convenções Aydil Bonachella, no Jardim Pompeia, no dia 25 deste mês, um domingo.

Com os testes, é possível ter um inquérito sorológico dessa população, que faz parte do grupo de risco para a covid-19.

“O objetivo do inquérito sorológico é saber qual é o percentual de gestante da cidade que já teve contato com o coronavírus e tem imunidade ainda que temporária e também como está a contaminação nessa população. Com isso, podemos evitar surtos localizados da doença, já que o aumento da testagem é uma das formas de controle da covid”, explica a secretária.

As gestantes que estiverem com sintomas gripais farão o teste PCR e as que não apresentarem sintomas da covid farão o teste rápido (IgG e IgM). Os resultados serão conhecidos em 15 minutos após a aplicação do teste.

Na data, também será feita a revisão da carteirinha de pré-natal. Por isso, é preciso que a gestante esteja munida do documento. Para a testagem da covid, serão atendidas as grávidas que fazem o pré-natal tanto na rede pública quanto na rede privada de saúde.

No dia 25, o atendimento será feito das 8h às 12h e das 13h às 16h30. O Centro de Convenções Aydil Bonachella fica na Rua das Primaveras, 210, no Jardim Pompéia.

INQUÉRITO SOROLÓGICO

A secretária da Saúde também informa que será feito o inquérito sorológico de outros grupos, para ampliar a testagem para a covid, no município, mas, eles ainda não estão definidos.

No momento, com base em inquéritos sorológicos já concluídos, a estimativa é que cerca de 30 mil pessoas, em Indaiatuba, já tiveram o contato com o vírus, a maioria assintomática.

ALERTA

A secretária da Saúde considera que o comportamento da população é um fator determinante para a continuidade ou não da pandemia de covid-19 e pede às pessoas: “Não baixem a guarda. O uso da máscara é imprescindível. Evite aglomerações. O vírus ainda circula aqui e no país inteiro”.

BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO

(Fonte: Secretaria de Saúde de Indaiatuba)