Eleições 2014: Candidatos ao cargo de deputado estadual falam sobre as campanhas

Na reta final das campanhas eleitorais, os candidatos de Indaiatuba ao cargo de deputado estadual falam sobre as expectativas para o resultado das urnas e sobre o posicionamento dos eleitores. Os concorrentes são Bruno Ganem (PV), Daniel Leite (PTC) e Rogério Nogueira (DEM). 

Além de conquistarem os eleitores locais, eles são unânimes em dizer que precisam do apoio de moradores de outros municípios para conseguirem se eleger em razão da quantidade de votos necessária, que varia de um candidato para outro por causa do chamado quociente eleitoral, que é a soma dos votos válidos divididos pela número de cadeiras a serem preenchidas, e pelo quociente partidário (soma dos votos nominais e os de legenda). 

Daniel Leite estima que precisa de 35 mil votos para se eleger. Bruno Ganem fala em 40 mil. Rogério Nogueira calcula, no mínimo, 80 mil votos. 

Bruno Ganem (PV)
O candidato do PV, Bruno Ganem, avalia como “boa” a receptividade que tem recebido dos eleitores. Ele conta que, quando está em campanha eleitoral nos semáforos, muitas pessoas declaram apoio a ele, mas não sabe se essas manifestações podem ser consideradas como voto certo nas urnas. 

Ganem afirma que também faz campanha fora de Indaiatuba, mas não em semáforos. Ele diz que conta com o apoio de lideranças políticas de outros municípios e que também tem a ajuda de um grupo de quatro mil pessoas – de diversas cidades – que recebe seu material de campanha, via Correio, faz a distribuição e pede votos para ele, principalmente em apoio às propostas de defesa do meio ambiente e dos animais.   

A defesa do meio ambiente é a principal causa do partido político de Ganem, o PV (Partido Verde). Com relação à proteção animal, ele afirma que trata-se de uma questão pessoal. “Não sou cachorreiro, aquele que trabalha voltado ao cão. Não suporto violência contra os animais. Defendo, por exemplo, o abate responsável, sem sofrimento”, explica. 

Ganem nega que sua candidatura a deputado estadual tem o objetivo de testar o seu desempenho nas urnas como um ensaio para a próxima eleição municipal para prefeito, mas admite que a pretensão de assumir a Prefeitura permanece. Em entrevista anterior, ele disse que, se fosse eleito, concluiria o mandato de deputado, mas, agora, afirma que poderá interromper um eventual trabalho na Assembleia Legislativa para concorrer ao Executivo municipal na próxima eleição. 

O candidato do PV reafirmou que o deputado estadual Rogério Nogueira (DEM), que disputa a reeleição, é o seu principal adversário nessa eleição, mas diz que a “rivalidade” tem “correlação” com o trabalho do atual chefe do Executivo, Reinaldo Nogueira (PMDB), irmão de Rogério. “Vejo que os que votam no Rogério se embasam na administração do Reinaldo. A força do deputado é reflexo do trabalho do prefeito e a rejeição também”, avalia. 

Se for eleito deputado estadual, Ganem promete continuar seu trabalho nos semáforos, em Indaiatuba.

Daniel Leite (PTC)
O candidato do PTC, Daniel Leite, conta que tem trabalhado “corpo a corpo” com os eleitores e que, apesar de estar otimista em relação à sua eleição, inclusive, pelo número de votos necessário, tem sentido indecisão por parte dos eleitores. Ele acredita que a maioria só decidirá em quem votar às vésperas das eleições. “A campanha só pegou firme mesmo a partir da segunda-feira passada. Muitos eleitores só vão decidir em quem votar um ou dois dias antes da eleição”, avalia. “Há também quem espera conseguir alguma vantagem do candidato, o que é ilegal”, afirma. 

Para Leite, a disputa eleitoral, em Indaiatuba, está “respeitosa”. “Não falo mal de ninguém. Só peço que o eleitor vote com o seu coração. Não sou oposição a ninguém, mas apenas uma nova opção de voto”, diz. 

“Minha principal proposta se relaciona à área da educação. Antigamente, na década de 80, tinha aula de educação moral e cívica nas escolas, os alunos cantavam o hino nacional. Hoje, não há respeito aos professores. Eles são quase jogados para fora da sala de aula pelos alunos”, comenta.

O candidato defende que a disciplina de Educação, Moral e Cívica seja novamente incluída na grade curricular da rede pública de ensino e que as reuniões entre pais, professores e alunos sejam realizadas periodicamente.   

Ele afirma que a principal reivindicação dos eleitores está relacionada aos serviços de saúde pública. Ele diz que tem recebido queixas sobre o atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24 horas, instalada no Jardim Morada do Sol, mas pondera: “nem mesmo os atendimentos por meio de convênios médicos particulares são perfeitos.”

“É importante que a população entenda que um deputado não pode resolver tudo sozinho. Todos os problemas de um bairro ou de uma família não poderão ser solucionados pelo deputado num passe de mágica”, destaca. 

Rogério Nogueira (DEM)
Ao falar sobre a campanha eleitoral, o candidato à reeleição a deputado estadual, Rogério Nogueira (DEM), destaca que defende a realização de debates pela imprensa entre os concorrentes. Ele acredita que isso é importante para que os candidatos possam expor suas experiências. 

O deputado concorre ao cargo pela quarta vez e considera que, esse ano, haverá um grande número de votos anulados. “Há falta de interesse pela política por causa da sujeira”, dispara. “Por isso, fiz um informativo sobre o meu trabalho. Uma equipe treinada para esclarecer as dúvidas faz a entrega do material, em mãos. A internet não elege ninguém. Hoje, as pessoas escrevem o que querem nas redes sociais, há muitos perfis falsos, não há mais credibilidade”, opina. 

Segundo o candidato, as maiores reclamações que tem recebido dos moradores de Indaiatuba durante o “corpo a corpo” se referem à moradia e transporte. 

“O aluguel é caro em Indaiatuba por causa da especulação imobiliária provocada pela qualidade de vida da cidade, não por culpa do prefeito. Os imóveis são caros porque há quem paga por eles. É a lei da oferta e procura. Mas, conseguimos um convênio com o governo do Estado, por meio do programa Casa Paulista, para construir mais de dois mil apartamentos populares, no Campo Bonito. Os moradores pagarão até R$ 100 por mês por dez anos. O Minha Casa, Minha Vida, não constrói casa para quem precisa, mas para quem pode por causa da renda, valor da entrada e prestação exigidos. Mas, também conseguimos um convênio para construir mais 800 casas pelo programa, também no Campo Bonito”, afirma. 

Na área de transporte, o candidato defende as ampliações dos horários e das linhas que atendem o “fundão” do Distrito Industrial e dos bairros mais periféricos e garante que essas medidas já estão sendo providenciadas. “É importante que a população saiba que a empresa que faz o transporte tem uma concessão. Podemos apenas cobrar melhorias. Muitas vezes, inclusive, isso tem que ser feito via Ministério Público”, explica.

O deputado afirma que não tem um tema específico de campanha eleitoral. “Trabalho de acordo com as necessidades das cidades que me elegeram. Ando muito para saber o que os moradores que confiaram em mim mais precisam”, afirma. “Só não ando mais do que meu irmão, que está em todas, ele não descansa”, brinca.

Na próxima semana, o blog entrevistará os candidatos ao cargo de deputado federal.