Em Indaiatuba: Sem “papas na língua”, Aloysio Nunes, vice de Aécio, critica a campanha do PT


Em campanha eleitoral, o senador Aloysio Nunes (PSDB), candidato à vice-presidência na chapa de Aécio Neves, do mesmo partido, esteve em Indaiatuba ontem (23/10). No início da tarde, em entrevista coletiva, ele mostrou, mais uma vez, que fala o que pensa e é incisivo nas suas opiniões.

Anteontem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) homologou um acordo entre as coligações de Aécio e Dilma para que não sejam mais feitos ataques mútuos nas propagandas eleitorais e que o tempo do horário eleitoral gratuito – que encerra hoje – seja utilizado para apresentação das respectivas propostas. O acordo é histórico, mas a dúvida é se será estendido também ao último debate entre os candidatos, que será exibido hoje à noite, pela Rede Globo.

Aloysio disse esperar que, na ocasião, Aécio possa apresentar suas propostas. “É isso que o eleitor quer saber e por isso fica acordado até mais tarde”, disse Aloysio. “O problema é que a candidata (Dilma) tem dito as maiores barbaridades nos debates. E não me refiro só aos ataques, mas às mentiras. Ela diz que a transposição do Rio São Francisco está a todo vapor, mas está parada. Diz também que o metrô de Fortaleza está concluído, mentira, não está. Fala que é preciso mudar a Constituição para o governo federal poder atuar na segurança pública. Tenho aqui ao meu lado um jurista (o vice-prefeito de Indaiatuba, Antônio Carlos Pinheiro), que não me deixa mentir. Tem amplíssima condição de atuar na área da segurança pública e não atua”, criticou. 

“A campanha da presidente Dilma, no segundo turno, produziu 22 comerciais (inserções) de 30 segundos, desses, 19 foram de ataques ao Aécio, para se ter uma ideia da agressividade da campanha, que não tem ideias novas para mostrar, diferentemente do que alardeia”, continuou Aloysio.

“Se você verificar o que se produz pelo PT de panfletos anônimos, de jornaiszinhos mentirosos atacando, não apenas a linha política dos nossos candidatos, minha, do Aécio, mas, sobretudo, atacando a pessoa, a honra, com mentiras... A internet, então, nem se fala. Eu não recomendo pessoas de estômago frágil a verificar na internet a enxurrada de ataques sórdidos que o PT tem feito contra nós. Isso, na minha visão, é um desrespeito à democracia, revela uma mentalidade autoritária, o germe de alguma coisa muito perigosa, que não pode prosperar”, acrescentou. 

O senador também criticou a proibição da veiculação de dados por institutos de pesquisa durante a campanha eleitoral. “Ainda ontem (terça-feira), o governo proibiu a divulgação de dados produzidos pelos seus próprios órgãos de pesquisa a respeito da qualidade do ensino, da arrecadação de tributos, da vida do Brasil. Os institutos só poderão fazer isso após as eleições. Então, você tem aí um estilo de política que o PT está fazendo de algo muito perigoso para a democracia, que precisa ser atalhado (interrompido), no domingo”, defendeu.

“O que preocupa na propaganda do PT é o acirramento do rancor, o medo de perder o poder”, disse.

Durante a campanha, Aécio tem dado destaque à economia brasileira e afirma que o crescimento do País é “zero”. “A Dilma diz que, se nós segurarmos a inflação, vamos provocar o desemprego. Ela tem é que voltar a estudar economia para saber que é perfeitamente possível e desejável controlar a inflação e aumentar o emprego”, alfinetou Aloysio.  “Hoje, há uma desindustrialização no eixo Sorocaba-Campinas. As empresas não conseguem vender carros; está demitindo funcionários. Isso é preocupante porque se perde o nível de emprego e emprego de boa qualidade”, avaliou. “O governante precisa saber ouvir prefeitos, as comunidades para captar as demandas. É preciso reconhecer os problemas”, afirmou o senador.

Ele destacou ainda a necessidade de reduzir ministérios, cargos comissionados, que são preenchidos sem concurso público, e cortar gastos “inúteis”. “Podemos ter 39 ministérios, 25 mil cargos comissionados com altos salários, permitir que o BNDES conceda empréstimos para empresas que têm condições de captar recursos de outras maneiras”, questionou em tom de crítica. 

Sobre a crise hídrica, disse que trata-se de uma questão que deve ser colocada “no topo da agenda”. Aloysio defendeu o estímulo aos Comitês de Bacias para gerenciar os conflitos sobre a utilização de mananciais pelos municípios, a recuperação dos rios a partir do tratamento do esgoto e uma política de combate aos efeitos das mudanças climáticas.  “Também é preciso que se pare de fazer demagogia”, disparou.

Se for eleito vice-presidente, Aloysio disse que quer ser um colaborador do Aécio, principalmente no contato entre o governo federal, os Estados e os municípios.

Aloysio disse que o apoio de Marina Silva, candidata derrotada no primeiro turno, é “precioso” para a candidatura de Aécio.  “A disputa está muito acirrada, mas o Aécio vai ganhar. Com margem pequena, mas vai ganhar”, disse. 

Coletiva

A entrevista coletiva com Aloysio Nunes aconteceu no escritório do deputado estadual reeleito, Rogério Nogueira (DEM), que articulou a vinda de Aloysio a cidade. 

O deputado federal reeleito, Rodrigo Garcia (DEM), também esteve presente, além de autoridades locais, como o vice-prefeito e prefeito em exercício, Antônio Carlos Pinheiro (PTB), já que o prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB), participa da reunião preparatória para o Fórum Mundial da Água, na França.

Adversários, mas nem tanto

Rogério Nogueira disse estar otimista com a eleição de Aécio Neves. O irmão de Rogério, o prefeito Reinaldo Nogueira, por sua vez, é coligado ao PMDB, que integra a coligação da presidente Dilma. “O partido do meu irmão defende a eleição da Dilma, já eu, aposto na vitória do Aécio. Isso significa que, independentemente de quem vencer, Indaiatuba terá condições de buscar apoio junto ao governo federal”, concluiu. 

Outro lado

Procurada pelo Blog da Pimenta, ontem, a assessoria de imprensa da presidente Dilma disse que responderia, hoje, as críticas feitas pelo senador Aloysio Nunes. Nesta tarde, porém, a assessoria fez contato com a autora do blog, por telefone, e informou que a decisão final é de não comentar as declarações do vice do adversário Aécio. 

(Foto: Sacha Ueda - Em campanha eleitoral, o senador Aloysio Nunes, vice de Aécio, esteve em Indaiatuba na última quinta-feira)