Hackaton do CrasJovem leva alunos para curso em centro de tecnologia

Maratona de programação foi realizada para concluir oficina da Fiec

Por Mariana Corrér

 

Cerca de 80 alunos participantes do programa CrasJovem protagonizaram um hackaton realizado na Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura (Fiec) nesta terça-feira (26). A maratona de programação durou a tarde toda com a apresentação de oito grupos que levaram seus trabalhos a julgamento.

Os três vencedores ganharam um curso no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, em Campinas. A unidade do Ministério da Ciência e Tecnologia já foi visitada pelos adolescentes anteriormente, mas agora receberá os vencedores para um treinamento especial.

A parceria entre a Fiec e o CrasJovem levou 200 pessoas de 15 a 17 anos a cinco turmas de 40 alunos cada, uma com aula a cada dia da semana. Depois de seis meses de oficinas, 166 jovens finalizaram o curso. Para o hackaton, o convite, segundo o professor e coordenador de Projetos da fundação, Ricardo Massaru, se estendeu a todos, mas apenas 80 toparam a participação e os demais ficaram na torcida pelos amigos.

“Selecionamos os alunos interessados durante duas semanas antes do torneio e os separamos por equipes”, conta o professor. “Propusemos de termos equipes de até 10 integrantes cada, onde uma parte ficaria responsável pela programação, e outra parte pela confecção do 'pitch' (discurso de apresentação) e confecção dos cartazes a serem apresentados”, completa.

Renato Nogueira é coordenador do CrasJovem e lembra que, no final da seleção, oito equipes foram formadas para defenderem suas propostas no hackaton. Foram elas: AmbiCras (CRAS IV); Atlantida (CRAS VI); Domino’s (CRAS I); Energize-se (CRAS VI); Modern Time (CRAS III); SOS Meio Ambiente (CRAS II e V); Teen Legends (CRAS I); Vappo (CRAS II e V).

Os vencedores foram AmbiCras, Atlantida e Modern Time. Para o julgamento, foram convidados três empresários de Indaiatuba para haver imparcialidade nas avaliações.

O projeto campeão, do CRAS IV, propôs uma solução que visa conscientizar a população sobre a poluição dos mares e alertar sobre os prejuízos ambientais causados pelos lixos dos oceanos. A equipe desenvolveu um game onde o objetivo é que o jogador realize a captação do maior número de poluentes que são jogados no mar, no tempo de um minuto.

O prêmio vai ser a visita ao CTI Renato Archer, onde os 30 adolescentes vencedores participarão de uma oficina de impressora 3D. O curso deverá acontecer no dia 6 de dezembro. “Os participantes do projeto já visitaram o centro anteriormente, mas agora os vencedores terão um curso especificamente para eles”, reforça Nogueira.

 

OS TEMAS

O desafio lançado foi para que eles criassem um jogo, cena ou história contendo uma proposta de solução para alguns temas a serem escolhidos pelas equipes, dentre eles: saúde, habitação, tecnologia, transportes e meio ambiente. A última opção foi a escolhida da maioria dos grupos, que levou os problemas relacionados a queimadas, poluição e destruição dos litorais ao palco da Fiec.

Para os pitches, eles tinham que seguir uma estrutura composta pela abertura, introdução ao problema, solução e apresentação dessa solução em formato de jogo, cena etc., e o encerramento. Eles foram orientados pelos professores e estagiários da Fiec para comporem suas apresentações.

 

A OFICINA DE PROGRAMAÇÃO

A parceria entre a fundação e o CrasJovem foi iniciada neste ano. “E está sendo muito bacana”, garante Nogueira.

O plano do curso foi elaborado por Massaru com o objetivo de passar a eles os conceitos básicos de informática, conceitos de redes e hardware, onde os alunos tiveram aulas práticas e os professores levaram à sala computadores abertos para que pudessem ter acesso à parte interna das máquinas e conhecer seus componentes. “Para a parte de programação, foi adotada uma ferramenta de desenvolvimento chamada Scratch, criada pelo MIT (Massachussets Institute of Technology), que é uma plataforma livre, acessada pela internet, e que permite o desenvolvimento de programas/jogos de forma simples e lúdica, onde a programação é realizada em formato de ‘blocos’ de comando, tipo Lego, através de uso do tipo ‘arraste-e-solte’ com o mouse”, conta Massaru. “O uso da ferramenta foi uma sugestão lançada pelo nosso gerente de TI, Daniel Cruz, e que foi adotada imediatamente, devido às vantagens em sua utilização”.

Os professores que ministraram as aulas são da própria Fiec e trabalham no Setor de Tecnologia da Informação, Gustavo de Souza Melo e Thiago Henrique de Oliveira Martins, que se revezaram durante a semana.

 

OS RESULTADOS

Ao longo dos quase quatro anos de CrasJovem, que atende adolescentes de 15 a 17 anos, os resultados estão cada vez melhores. Neste semestre, por exemplo, alguns dos participantes saíram no meio do caminho, mas não é desistência. “Alguns jovens se desligam do programa do Cras ao longo do ano por se inserirem em outras iniciativas, às vezes com cursos na própria Fiec ou estágio em empresas”, revela o coordenador do projeto.

Para ele, não há satisfação maior do que ver o pessoal que já saiu do programa e saber que eles estão bem. “Temos jovens que vêm de famílias completamente desestruturadas e superam isso, vencem a barreira da pobreza, se enxergam fora disso e conseguem caminhar”, declara Nogueira. “Ver o pessoalzinho de 18, 20 anos que está fazendo faculdade, trabalhando é um orgulho enorme”.

O mesmo vale para Massaru, que cuidou do projeto com a Fiec. “Foi um enorme prazer poder ver, no início das atividades, alunos que nunca haviam tido conceitos de lógica, ou com poucos conhecimentos de informática, aplicando o conhecimento adquirido nos trabalhos, onde tivemos gratas surpresas de trabalhos excepcionalmente bem realizados”, afirma, “Também foi gratificante colocá-los em uma situação onde tiveram de trabalhar em grupos, planejar e organizar os trabalhos para que as apresentações ficassem coerentes com o programa desenvolvido, onde eles também tiveram de se organizar para ter um resultado positivo”.

 

O CRASJOVEM

O Crasjovem acolhe o público de 15 a 17 anos em vulnerabilidade social no contraturno escolar. O objetivo é ampliar as habilidades sociais, culturais, esportivas e técnicas, para capacitar este jovem para o mercado de trabalho.

Os jovens são acompanhados por um Orientador Social durante as atividades propostas e nos cursos ministrados em parceria com o Educandário Deus e a Natureza e Fiec. No término, os participantes são encaminhados para processos seletivos do Jovem Aprendiz, além de serem incentivados a dar continuidade nos estudos através de cursos técnicos e ingresso ao ensino superior.

Durante o ano os participantes realizam passeios externos com objetivo de ampliar o conhecimento. Confira algumas excursões realizadas neste ano: Feira das Profissões na USP, Museu AfroBrasil (Sala São Paulo), Museu Cata-Vento, Escola Preparatória de Cadetes do Exército, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, e outros.

Em parceria com a Secretaria de Cultura, foram proporcionadas várias ações culturais no decorrer do ano, tais como shows e apresentações de standup com Matheus Ceará, Fernanda Gentil e Os Barbichas.

Também, uma vez por mês os participantes do serviço puderam conhecer e praticar diversas modalidades esportivas.