Haoc enfrenta rotina de incerteza para reposição do estoque de kit intubação

Periodicidade e volume de entrega dos produtos dependem de disponibilidade do fornecedor, que também sofre com falta de matéria-prima; a despesa é milionária

Por Patrícia Lisboa

Em respostas aos questionamentos feitos pela reportagem do Blog da Pimenta, a direção do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) – único que atende pacientes da covid-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Indaiatuba – revela que enfrenta uma rotina de incerteza para a reposição do estoque do chamado kit intubação – que são os materiais e medicamentos utilizados para a intubação de pacientes e para a manutenção da intubação, nos casos de necessidade de ventilação mecânica.

A entrega do kit intubação pelo fornecedor, segundo o hospital, acontece de forma “totalmente aleatória” e suficiente para atender o consumo médio de apenas três a cinco dias, sendo que a demanda pelos produtos do kit é crescente e variável, de acordo com as internações e agravamentos dos casos de covid-19, que levam à intubação de pacientes.

“Antes da pandemia, fazíamos compra de 15 em 15 dias e estimada para um mês inteiro. Atualmente, conseguimos a entrega de medicamentos, de acordo com as possibilidades do fornecedor, com consumo médio para 3 a 5 dias, e nunca a quantidade solicitada para um período de 30 dias. As resposta que nos fornecem são que não há entrega de matéria-prima importada. Além disto, há rotina de “confisco” pelas autoridades, a mando do Ministério da Saúde, de toda a produção e disponibilidade do estoque”, revela a direção do Haoc.

Por causa da dificuldade de reposição dos produtos de uso regular para a intubação e manutenção da intubação, o Haoc informa que está utilizando “medicações alternativas”, como a ketamina, morfina e tiopental. “São drogas que não são mais utilizadas de rotina em intubação/UTI, mas, pela falta das drogas de uso regular, voltaram a ser utilizadas”, explica o hospital.

As drogas de uso regular que compõem o kit intubação são o propofol, midazolan, fentanil e relaxante muscular.

O consumo do kit intubação teve aumento substancial com a pandemia de covid-19 em comparação com o período anterior ao surgimento das contaminações pelo novo coronavírus.

Em média, o consumo do propofol passou de 408 ampolas por mês, antes da pandemia, para 12 mil ampolas por mês, com a pandemia; o aumento do uso do midazolan foi de 2 mil para 16 mil ampolas pelo período de um mês; o consumo do fentanil subiu de 1,8 mil para 14 mil mensais, e o consumo de relaxante muscular teve aumento de 300 para 4 mil unidades por mês.

O consumo das drogas alternativas estão sendo de 2,5 mil ampolas (ketamina), 1,5 mil ampolas (morfina) e 500 (tiopenal) por mês.

DESPESA MILIONÁRIA

A despesa com os materiais e medicamentos para atendimento dos pacientes com covid-19 é milionária. Para exemplificar, o Haoc informa que, em março, o gasto com materiais e medicamentos da UTI Covid foi de R$ 847.323,77; com sedativos e anestésicos foram gastos mais R$ 470.427,05; e a despesa da Enfermaria Covid foi de R$ 324.831,68 – totalizando R$ 1.642.582,50. O custeio das despesas é feito com verbas do governo federal e do município.

No caso do atendimento de pacientes que têm convênio médico, as contas são faturadas para o respectivo convênio.

MINISTÉRIO DA SAÚDE

O Ministério da Saúde afirma que, em abril deste ano, distribuiu mais de 3,6 milhões de unidades de medicamentos de Intubação Orotraqueal (IOT), para todos os estados brasileiros.

“Até o momento, essa foi a maior distribuição de medicamentos hospitalares realizada pela pasta em um único mês, desde o início da pandemia da covid-19. A ação reafirma o compromisso do governo federal de apoio aos estados e municípios e reforço do Sistema Único de Saúde (SUS), em um empenho contínuo para evitar o desabastecimento de medicamentos IOT no Brasil”, afirma a pasta, em nota.

Desde junho de 2020, segundo o Ministério, foram distribuídas cerca de 11,4 milhões de unidades. “A pasta continua trabalhando em diversas frentes para assegurar o fornecimento desses insumos, essenciais para tratamento de pacientes graves de covid-19”, garante o ministério.

O órgão explica que consegue os medicamentos por meio de requisições administrativas, realizadas com os estoques excedentes das indústrias, pregões eletrônicos, compras internacionais via Organização Pan-Americana (OPAS) e também por doações de países parceiros e empresas privadas.

“Está em andamento um pregão eletrônico sem registro de preço, com a participação de empresas estrangeiras, para publicação de edital de licitação para a aquisição de mais medicamentos, nesta semana”, informa o Ministério da Saúde.

A pasta ainda deve receber, nos próximos dias, mais de 1,5 milhão de medicamentos para Intubação Orotraqueal. Uma das entregas é composta pela doação dos governos da Espanha e de Portugal, que serão distribuídos às Unidades Federativas nos próximos dias.

Outros 1,1 milhão de ampolas são fruto de uma segunda doação da Vale do Rio Doce em parceria com um conjunto de empresas brasileiras. A primeira doação da Vale e demais companhias foi de 2,3 milhões de ampolas, já distribuídas para todo o Brasil pelo Ministério da Saúde, em abril.