Horta Solidária do Cresans vai completar dois anos graças aos voluntários

Existe a intenção de ampliar projeto para alguns bairros 

Por Mariana Corrér 

  

A horta solidária do Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Cresans), vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social, vem doando centenas de hortaliças para entidades de Indaiatuba desde que iniciou suas atividades, em dezembro de 2017. 

A ideia veio do diretor do Cresans, Victor Hugo Bonequini, que, com o olhar mais voltado para o social, decidiu aproveitar o terreno ocioso do próprio centro. 

O espaço, até então, só servia para juntar mato e insetos, o que é totalmente contrário ao foco do prédio, que conta, inclusive, com cursos de educação alimentar duas vezes por semana. Foi então que diretor do centro, após conversa com o prefeito, mobilizou as secretarias do Social, de Meio Ambiente e de Obras para apresentar sua ideia e o projeto já pronto da horta. 

O pessoal de Obras preparou o terreno, o Meio Ambiente fornece as sementes e o esterco fruto de compostagem de árvores, e o Social fez a ligação com as entidades do município. Assim nasceu o programa que já tem até a intenção de ser expandido pela cidade. 

As hortaliças são plantadas e cuidadas apenas por voluntários. Não existe um funcionário do Cresans específico para a horta. "Sem eles, isso aqui não existe", afirma Bonequini. 

No começo, os cuidados vieram de uma parceria com a Comunidade Farol. “Eles vinham três vezes por semana, por cerca de seis meses, mas acabou não dando mais certo depois disso”, lembra o responsável. “Em vez de parar com o projeto, resolvemos abrir para voluntários do bairro”. 

Os três primeiros moram na região e continuam cuidando do espaço. A dona Maria de Lourdes Urizzi, de 65 anos, e o ex-agricultor Adão Franco de Toledo, de 70, estavam na horta quando a reportagem esteve lá. O senhor Roberto, também vizinho do Cresans, ainda não tinha chegado para o trabalho do dia. 

Todos eles se dedicam como podem, mas com muito carinho pelo cultivo. “Eu venho três vezes por semana e, como ontem não pude vir, hoje vou ficar três horas em vez de uma hora, só para compensar”, contou Lourdes. “Eu fiquei preocupada ontem, se estava tudo bem, fiquei pensando que estava na hora de regar, por causa do calor forte”, completou a voluntária, feliz por estar agilizando sua parte. 

Ávido por transferir conhecimento, Adão virou uma espécie de professor do pessoal. Por ter trabalhado com isso a vida toda, auxilia em todos os processos e decisões. “Depois de velho, virei professor”, brincou o aposentado. “Mas é bom aproveitar a experiência, passar isso adiante e ainda colaborar com uma causa tão importante”, disse. “É uma grande satisfação poder oferecer um alimento de qualidade para uma pessoa que não tem acesso”, completou o ex-agricultor. 

Victor Hugo lembra que, como o cultivo é todo de responsabilidade dos parceiros, a chegada de novos voluntários é sempre bem-vinda. Assim, quem quiser colaborar, pode entrar em contato com o Cresans para ir conhecer o espaço e o funcionamento do projeto. 

 

ORGÂNICOS 

A produção é toda orgânica, embora não leve esse “selo” oficialmente. Bonequini explica que, para poder chamar o alimento de orgânico, é preciso ter uma autorização oficial. Isso não quer dizer, porém, que a horta do Cresans não seja. Todas as sementes são orgânicas, o solo é preparado com esterco de compostagem de árvores, fornecido pela Secretaria do Meio Ambiente, sem qualquer perigo de contaminação, e todo o cuidado das hortaliças é feito sem qualquer tipo de agrotóxico. 

Para ser chamado de orgânico, o Cresans está em conversa com a Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região (ANC), que pode ajudar nesse processo. 

No momento, a horta está produzindo rúcula, cenoura, alface, cheiro-verde, salsinha, cebolinha, alface americana, salsão, alface-roxa, tomate, berinjela, pimentão, beterraba e uva. 

 

EXPANSÃO 

Ainda não existe nada formalizado, mas Victor Hugo tem a intenção de expandir o projeto da horta para outros bairros da cidade, por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). “Já comecei a montar esse projeto e passeio para a secretaria, mas ainda não temos nada certo, é só uma vontade”, revela. “A ideia é de pegar terrenos junto do Cras ou próximo a ele para que os assistidos possam trabalhar na horta e plantar seu próprio alimento”, explica. 

Isso mobiliza a comunidade e gera mais atividades para quem frequenta os centros. “Além do próprio consumo, também pode ser distribuído para entidades como fazemos aqui”, adiciona Bonequini 

 

 

ENTIDADES 

Tudo o que é produzido na horta do Cresans é doado para entidades de Indaiatuba. As beneficiadas são todas cadastradas na Secretaria de Assistência Social e podem receber as hortaliças conforme acontecem as colheitas e seguindo suas necessidades. 

Para ser voluntário ou saber mais sobre a horta e a possibilidade de ser beneficiário, basta entrar em contato com o Cresans e falar com o Victor. O telefone é (19) 3834-4129.