Indaiatuba fica na fase 2 da flexibilização das atividades não essenciais por mais 15 dias

A próxima atualização da classificação será divulgada pelo Estado no dia 3 de julho

Por Patrícia Lisboa

O Governo do Estado de São Paulo atualizou, hoje (19/6), a classificação das regiões paulistas no Plano São Paulo, com base no cenário da covid-19, para o funcionamento das atividades econômicas não essenciais. Indaiatuba se mantém na fase 2 (laranja), que permite a abertura de comércio de rua, shoppings, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias. Os demais serviços não essenciais continuam fechados. A próxima atualização da classificação será divulgada pelo Estado no dia 3 de julho.

Pela média dos índices das 20 cidades abrangidas, a RMC (Região Metropolitana de Campinas), da qual Indaiatuba faz parte, também permanece na fase laranja, mas o Estado emitiu uma nota técnica, na qual orienta o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), a retroceder para a fase 1, a vermelha, mais restritiva, com a permissão para funcionamento apenas das atividades essenciais, em razão do aumento das mortes, dos casos confirmados e de ocupação dos leitos por causa da covid-19.

Hoje, Campinas soma 203 mortes e 5.228 casos confirmados da doença. O prefeito acatou a orientação do Estado e vai decretar o fechamento do comércio não essencial, por sete dias, a partir de segunda-feira (22/6).

Em Indaiatuba, a situação epidemiológica também tem se agravado. No dia 1º de junho, quando teve início a flexibilização das atividades não essenciais, a cidade tinha registrado 26 mortes por covid-19. Hoje, são 48 vítimas fatais, 22 a mais em 19 dias. O número de casos confirmados da doença, no mesmo período, mais que dobrou, passando de 321 para 840.

O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, observou que “os municípios têm autoridade e autonomia para seguir a flexibilização ou fazer um endurecimento". "Esta autonomia vem compartilhada da responsabilidade sobre os indicadores da própria cidade”, disse o secretário. Ele citou as Prefeituras de Jaguariúna e de Valinhos, ambas na região de Campinas e que adotaram medidas mais rígidas que as da fase laranja até que os indicadores locais de saúde voltem a melhorar.

Apesar da piora nos índices, na atualização da classificação, hoje, Indaiatuba não recebeu nota técnica com orientação do Estado para retroceder de fase, diferentemente de Campinas, segundo a Prefeitura.

Em transmissão ao vivo por rede social, ontem (18/6), o prefeito de Indaiatuba, Nilson Gaspar (MDB), admitiu que há uma evolução dos casos e que o município se encontra em uma fase crítica. “Estamos no pico do contágio. Temos que redobrar os cuidados com a nossa saúde, utilizar máscara, álcool em gel e, quem não precisar sair, deve ficar em casa, principalmente os idosos”, orientou.

O prefeito ponderou, porém, que o comércio não essencial, que foi reaberto no dia 1º deste mês, “não é o culpado” pelo crescimento no número de casos da covid-19. “O comércio tem feito a lição de casa. Os nossos fiscais estão andando e estão vendo os nossos comerciantes seguindo as regras. Os comerciantes estão de parabéns. Mas, a nossa população precisa entender que não é o momento para ficar zanzando para cima e para baixo, sem necessidade. Se precisar ir a um comércio, vá, mas com proteção. Estou vendo alguns idosos saindo sem máscara. Fique em casa”, disse Gaspar.

SISTEMA DE SAÚDE DE INDAIATUBA

Hoje, pela primeira vez, a ocupação dos leitos de enfermaria do Hospital Santa Ignês, da rede particular de Indaiatuba, atinge 100% e, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a taxa é de 58%, para pacientes com sintomas de síndrome respiratória, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

No Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), que atende o Sistema Único de Saúde (SUS), a taxa de ocupação é de 67% na enfermaria e de 75% na UTI, no momento.

Os dados são do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, nesta sexta-feira (19/6).

Atualmente, há 40 internados em leitos de enfermaria e 25 em leitos de UTI, totalizando 65 internações no sistema de saúde de Indaiatuba.

RESPIRADORES

Indaiatuba recebeu, nesta segunda-feira (15/6) e na quarta-feira passada ((10/6), ao todo, dez respiradores do Governo do Estado, para ampliar a UTI do Haoc para pacientes com sintomas de síndrome respiratória.

Ao todo, o hospital possui 61 respiradores. No momento, 16 estão sendo utilizados em pacientes internados no Haoc.

ALERTA

Além do pedido do prefeito, em transmissão ao vivo por rede social, ontem, a secretária municipal da Saúde, Graziela Garcia, também reforçou a orientação para que a população mantenha o isolamento e o distanciamento sociais, para evitar o contágio pelo novo coronavírus, e observou que, de nada adianta o município ter estrutura hospitalar, se a população não fizer a parte dela e tomar os cuidados para se prevenir da nova doença.

PRÓXIMAS FASES DA FLEXIBILIZAÇÃO

Na fase 3 (amarela), haverá reabertura total de serviços imobiliários, escritórios e concessionárias segundo protocolos sanitários. Comércio de rua, shoppings e salões de beleza, além de bares, restaurantes e similares poderão funcionar com restrições de horário e fluxo de clientes.

As regiões que chegarem à fase 4 (verde) poderão atenuar as restrições ao funcionamento de todos os setores da fase amarela. Academias de ginástica e centros de prática esportiva também voltarão a receber frequentadores, desde que respeitados limites de redução de atendimento e as regras sanitárias definidas para o setor.