Mais de dois mil raios já atingiram Indaiatuba neste Verão

Número se refere ao período de dezembro de 2020 até a primeira quinzena deste mês; só em janeiro deste ano foram 1.098 descargas elétricas

Por Alenita Ramirez

Entre dezembro do ano passado até o dia 15 deste mês, o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrou a queda de 2.021 raios em solo de Indaiatuba.
A incidência de raios em janeiro deste ano, em Indaiatuba, foi três vezes maior que igual período do ano passado. Nos 31 dias do mês foram registradas a queda de 1.098 raios, contra 335 em 2020. Em dezembro foram 903 raios.
Mesmo com o registro de poucas chuvas na primeira quinzena deste mês, o Elat já contabilizou 20 descargas elétricas, mas o número deste mês é menor do que igual período do ano passado, quando foram registradas 88 ocorrências do fenômeno.

“Os números mostram grandes variações devido a pequena região e curto período de tempo. Mas, de modo geral, podemos dizer que houve um aumento neste verão em relação a 2020, mas que este aumento não foi observado em fevereiro deste ano”, comentou o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE (ELAT/INPE), Osmar Pinto Júnior.

O período analisado é referente ao verão, estação conhecida como a estação das águas, devido às chuvas que ocorrerem em todo o Brasil. Dezembro de 2020 também registrou aumento, se comparado com o mesmo mês de 2019: 78 casos.

Como Indaiatuba faz parte da região de Campinas, a pesquisadora e meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ana Ávila, explica que esta região não é o foco da maior incidência de descargas elétricas do País, porém, ela está sujeita a incidência de raios.

“Estamos em uma região tropical, com influência de sistemas vindos do Sul do País, onde há clima mais frio, com áreas subtropical e temperada, e também a incidência de sistema meteorológico de áreas mais quentes, equatoriais. O choque entre esses sistemas meteorológicos faz com que tenhamos nuvens de tempestades, com desenvolvimento vertical com 10 a 12km de altura. Essas nuvens geram tempestades, com ventos, e podem ocorrer sistemas severos, como os raios”, explicou a pesquisadora.

CUIDADOS

Os raios podem acontecer pouco antes da chuva começar ou no estágio final da tempestade. Portanto, o Elat orienta para buscar abrigo tão logo veja nuvens carregadas no céu ou escute um trovão, que sinalizem o início da tempestade. Evite sair para lugares abertos, ou entrar na água de mar, rio ou pisca imediatamente após a chuva. É aconselhável ficar em locais de alvenaria.

O FENÔMENO

Relâmpagos, na definição utilizada pelo Inpe, são correntes elétricas muito intensas que ocorrem na atmosfera, consequência do rápido movimento de elétrons de um lugar para o outro. Os elétrons movem-se tão rápido que fazem o ar ao seu redor iluminar-se, resultando em um clarão, e aquecer-se, resultando em um som, que é chamado de trovão. Quando o relâmpago se conecta ao solo é chamado de raio.

Uma tempestade de raios pode acontecer, inclusive, sem chuva, como observado por leitores do Blog da Pimenta, na segunda e terça-feira desta semana.

Quando o céu fica escuro, com aquelas nuvens negras, a tempestade já está formada. Neste caso, é preciso evitar estar em lugares abertos.