Secretária da Saúde pede autorresponsabilidade à população para conter a nova escalada da covid-19

O relaxamento nos cuidados individuais é apontado por Graziela Garcia como o fator determinante para o aumento de casos positivos e de internações em Indaiatuba

Por Patrícia Lisboa

Nesta semana em que todo o Estado de São Paulo regrediu da fase verde para a fase amarela do plano de retomada das atividades e os leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a covid-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Indaiatuba, atingiram a ocupação máxima, a secretária municipal de Saúde, Graziela Garcia, em entrevista exclusiva ao Blog da Pimenta, fez uma análise dos fatores que provocam a alta no número de casos e de internações por causa da doença no munícipio. Além de reconhecer a problemática das aglomerações, a secretária entende que Indaiatuba depende da responsabilidade de cada pessoa – ou da “autorresponsabilidade”, como ela diz – para conter a nova escalada da covid-19.

De acordo com a secretária, os números de casos positivos de covid-19 voltaram a subir, em Indaiatuba, a partir de novembro. O primeiro período de pico dos números da doença, no município, ocorreu em julho. Entre os dois momentos, os dados oscilaram, mas em patamares menores. (Confira todos os boletins epidemiológicos na editoria de Saúde do Blog da Pimenta)

Somente nesta semana, foram registrados 2.271 notificações de casos suspeitos, 749 casos positivos e seis mortes por causa da doença. Até este sábado (5/12), os totais são 254 mortes e 9.718 casos confirmados. Ainda há 826 casos suspeitos.

LEITOS DE UTI

O índice de ocupação dos 24 leitos de UTI no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), que atende pelo SUS, em Indaiatuba, é de 96% hoje.

Nesta semana, a Prefeitura, inclusive, teve de alugar oito leitos de UTI para pacientes do SUS, no Hospital Samaritano, em Campinas, e a ocupação já é de 75%.

No Hospital Santa Ignês, da rede privada de Indaiatuba, a taxa de ocupação dos leitos de UTI é de 100%, hoje, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Apesar da redução da incidência de óbitos, nesta segunda alta da covid-19, segundo a secretária, o tempo prolongado das internações tem impactado negativamente na oferta de leitos no município.

AGLOMERAÇÕES

Questionada pelo Blog da Pimenta sobre o impacto do período eleitoral no aumento das contaminações, a secretaria admitiu o problema das aglomerações, mas, ponderou: “Na visão da Saúde, é um conjunto de fatores. O período eleitoral movimenta mais as pessoas, mas o fator determinante é o relaxamento nas medidas de higiene, em especial, no uso da máscara. Então, as pessoas deixaram de ter os cuidados, de usar a máscara e voltaram a fazer confraternizações. O problema está aí”, apontou Graziela.

Mas, a secretária também considera a preocupação com a saúde mental das pessoas. “O ser humano precisa de algum lazer, só que cada um precisa ter consciência da realidade deste momento. Não acho que a gente tem que regredir mais na flexibilização e ter fechamento de atividades. É possível conviver com as atividades, mas com moderação, obedecendo os protocolos de higiene. Acreditamos que as pessoas precisam prestar atenção na fase em que estamos, para que tudo fique aberto”, afirma.

Sobre frequentar bares, a secretária repete a necessidade de obediência às normas. “É comum dos jovens ter vida social noturna, mas, é preciso escolher o lugar que respeite as regras sanitárias. A reclamação principal dos donos dos bares, é que – quando chega a hora de fechar – a clientela não quer ir embora. A vida social pode acontecer, mas de maneira respeitosa. É um trabalho conjunto da população”, defende.

A POLÊMICA DOS ENFEITES DE NATAL

Desde o mês passado, a visitação dos enfeites de Natal instalados pela Prefeitura em diversos pontos da cidade tem causado aglomerações de pessoas, especialmente na rotatória em frente ao Paço Municipal. A Prefeitura alega que a decoração natalina ajuda a movimentar o comércio, a manter os empregos e, inclusive, atende a um pedido da Associação Comercial de Indaiatuba (Aciai).

A secretária da Saúde também entende que é possível manter as visitações aos enfeites de Natal. Para ela, basta que as pessoas usem a máscara e, quando perceber que o local está ficando cheio, não pare e volte em outro horário.

“Todos sabem o que deve ser feito, resta fazer. Não adianta as pessoas se fazerem de vítimas. Não tem que dizer que enjoou de usar a máscara. É uma questão de sobrevivência. Nós podemos ter uma vida livre. O comércio, os shoppings, as academias, estão organizados. Tudo pode continuar a funcionar. Mas, e preciso que haja bom senso de cada pessoa. Tem que ter autorresponsabilidade. Todos já sabem o que deve ser feito, então, tem que fazer”, dispara a secretária.

FISCALIZAÇÃO

Nesta semana, os fiscais da Prefeitura receberam um novo treinamento para orientar a população sobre a covid-19. A secretária explica que a punição é aplicada somente para a realização de atividades que estão proibidas, neste momento. Os eventos com pessoas em pé são vedados na fase amarela. Os casos de atividades ilegais são atendidos pela Guarda Civil. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 153, que funciona 24 horas.

“Queremos sensibilizar e não multar as pessoas. Precisamos de união e de entendimento. Não é hora de dividir. Não é hora de fechar, punir, multar, mas, de conscientizar, de comunicar. Queremos que a população tenha entendimento do período em que vivemos. Por isso, vamos intensificar as campanhas de conscientização”, afirma a secretária da Saúde.

A nova campanha informativa terá como focos a importância do uso da máscara e de evitar as aglomerações e deve chegar à população por diversos meios de comunicação.

“Neste período de Natal e Ano Novo, a orientação também é para que as pessoas evitem as viagens, para que não haja a mistura de grupos de pessoas, o que é uma exposição maior ao vírus, e mantenham a convivência apenas com o núcleo familiar menor (os de casa)”, explica Graziela.

A secretária esclarece ainda que, neste momento, não há proibição vigente para a realização de festas presenciais de casamento, por exemplo, desde que sejam obedecidas as normas sanitárias, como a ocupação de 40% da capacidade do local do evento, com pessoas sentadas. Mas, as festas não são recomendadas.

“Não convém fazer festa, agora, porque é uma situação de exposição e qualquer distração pode resultar na entrada do vírus na vida das pessoas. As contaminações acontecem nesses momentos de distração, então, as pessoas precisam entender que esse ano é diferente”, alerta a secretária.

Outra orientação importante que a secretária dá é para que as pessoas se isolem ao menor sintoma de gripe e procurem imediatamente o atendimento pela telemedicina – o Minha Saúde Covid-19 –, pelo link
www.indaiatuba.sp.gov.br.

A telemedicina funciona diariamente, das 7h às 22h30, com quatro médicos. Nos últimos dias, o serviço tem apresentado congestionamento por causa do aumento das notificações de casos suspeitos de covid-19. O tempo de espera, segundo a secretária, tendo sido de cerca de meia hora.

No início, o serviço atendia cerca de 120 pessoas por dia, e agora, a média diária é de 280 pessoas. Desde que foi instalado, em junho, até a última quinta-feira (3/12), o serviço já tinha realizado 13.569 atendimentos.

A secretária lembra que a ida ao pronto socorro do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) ou à UPA 24h, neste momento, deve ser evitada. As consultas médicas nas unidades básicas de saúde estão sendo realizadas normalmente.

VERDADES

Por fim, Graziela frisa que as pessoas precisam prestar atenção em algumas verdades sobre a questão da covid-19 e elenca:

- “Quanto mais relaxarmos nos protocolos de segurança, mais prejuízos vamos ter;

- Para evitar as transmissões de covid, as cirurgias eletivas já ficaram suspensas por um período grande e, agora, esse tipo de atendimento está sendo reduzido novamente, o que é muito preocupante porque os casos (de outras enfermidades) podem se agravar pela dificuldade de vaga para o atendimento. O problema é muito sério;

- A falta de cuidado das pessoas em evitar a covid prejudica o sistema de saúde de maneira muito cruel porque é um gasto enorme. Esse dinheiro poderia ser usado em novos investimentos, em novos exames e em medicamentos para a população;

- Podemos ter recursos financeiros e, mesmo assim, não ter infraestrutura suficiente, se todos adoecerem de covid ao mesmo tempo. Nenhum país está preparado para isso;

- A imunidade coletiva, de maneira segura, só será possível com a vacinação de parte da população. Não existe imunidade coletiva, transmitindo a doença para outra pessoa. Esse é um pensamento cruel e egoísta”.