60+: Cuidados com a beleza elevam a autoestima da população da terceira idade

Com novos tratamentos, é possível melhorar a aparência sem ficar com aspecto artificial

Por Patrícia Lisboa

Se aceitar o envelhecimento e os sinais que chegam junto com ele pode ser uma dificuldade, os avanços da indústria da beleza, por outro lado, representam um meio real de recuperar a autoestima de pessoas que têm mais de 60 anos de idade.

De acordo com a cirurgiã plástica, Bárbara Zilli, especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as queixas principais das pessoas com 60+ são com o aparecimento das rugas e da flacidez da pele. “As pessoas reclamam muito da flacidez da pele da face que causa o tal bigode chinês*, a papada** e que deixa a pálpebra superior caída”, conta Bárbara.

Com esses exemplos da médica, não há dúvida de que o desejo de retardar os efeitos do envelhecimento seja algo cada vez mais comum.

No dia a dia do consultório, em Indaiatuba, Bárbara confirma: “A procura por tratamentos estéticos está começando mais cedo. As pessoas querem envelhecer da forma mais natural e saudável, então, a gente está começando a antecipar alguns procedimentos. É esse movimento que está acontecendo agora. Hoje, um jovem de 30 anos já está usando toxina botulínica. Antes, se dizia que isso era coisa de gente velha”, relata a especialista.

As pessoas que têm mais idade e buscam procedimentos estéticos, segundo ela, têm mais preocupação em não ficar com a aparência artificial.

“A gente sempre avalia todo o histórico da pessoa para entender o porquê de a pele dela estar daquele jeito; às vezes, vejo fotos da pessoa quando mais jovem, que é um bom parâmetro. A gente não quer transformar a pessoa e nem fazer com que ela aparente ter 30 anos novamente. A ideia é fazer com que a pessoa envelheça de uma maneira mais saudável, mais bonita, com autoestima, que é algo que faz tão bem”, explica a médica.

A cirurgiã plástica observa que, desde que os produtos para preenchimento e os ácidos hialurônicos foram criados, os estudos sobre envelhecimento se aprimoraram. Com isso, ela afirma que é possível obter resultados mais naturais com os tratamentos estéticos.

“A proposta não é esconder a idade, mas fazer com que a pessoa fique mais bonita com a idade que ela tem. E isso influencia em outros aspectos da vida. A gente percebe que a pessoa que está se sentindo mais bonita também resolve comer melhor, fazer atividade física, começa a ter um relacionamento melhor dentro de casa porque está se sentindo bem, então, a autoestima influencia muito na saúde das pessoas, no convívio social, melhora tudo. É muito gratificante trabalhar com isso porque a autoestima é imprescindível para a vida das pessoas”, destaca a cirurgiã plástica.

Como especialista nos tratamentos de beleza, Bárbara considera que “nunca é tarde” para que as pessoas utilizem recursos que melhorem a aparência e as façam sentir-se bem. Mas, salienta: “a beleza não tem padrão e a autoestima é algo individual. Além disso, não adianta cuidar da beleza, se a saúde não estiver em dia”.

Bárbara ainda dá uma dica importante de como envelhecer bem. “Não adianta fazer aplicação de toxina botulínica, por exemplo, e ficar tomando sol, fumando, porque isso tudo influencia na qualidade do envelhecimento. É preciso ter hábitos de vida saudáveis”, orienta.

Para as pessoas com 60+ que estão com baixa autoestima e não se sentem mais animadas em cuidar da beleza, a cirurgiã plástica lembra de uma famosa frase do médium Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

*Bigode chinês – marca de expressão nos cantos da boca
**Papada – sobra de pele abaixo do queixo


Na foto abaixo, a cirurgiã plástica, Bárbara Zilli.